26 de novembro de 2012

Varejo têxtil apresenta cases de sucesso e discute os rumos do setor

O Varejo Têxtil – Retail Expert Meetings, que aconteceu em agosto, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, reuniu especialistas de grandes marcas e empresas do segmento para trocar conhecimentos na área, fazer networking e discutir os rumos do varejo que cresce a cada dia. O encontro trouxe informações atuais do mercado, dados sobre o comportamento do consumidor, cases de eficiência e produtividade na operação do Varejo Têxtil, além de debate sobre os principais desafios do setor.

Na segunda parte da matéria, vamos apresentar os cases de sucesso das marcas Marisol por seu diretor presidente, Giuliano Donini; e Riachuelo, com apresentação do CEO da empresa e também presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Flávio Rocha, que fala sobre as mudanças no segmento fast fashion. Encerrando os cases, o presidente da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima, aborda o tema Sustentabilidade da Cadeia de Fornecimento do Varejo Têxtil.

Go to Market!
Giuliano Donini, diretor presidente da Marisol, marca com foco no público infantil, começou sua apresentação com um dado significativo: o segmento movimenta 19% da economia global do vestuário. O que pode explicar o investimento da marca, já que 85% dos negócios são para o público de 0 a 12 anos, da classe média.

O grupo ainda tem a marca Mineral, para infantil, jovem e adulto com preço mais acessível e as marcas a Tigor T. Tigre e Lilica Ripilica, de 0 a 10 anos, que atende a classe média/alta. Todas produzidas nas duas fábricas da marca, em Santa Catarina e Ceará.

“Existem muitos interesses de negócios. Desde 2012 estamos nos reorganizando, transferindo fábricas de Estado, buscando competitividade. O grupo gera 70% daquilo que comercializa. É um desafio de 13 meses de trabalho, na cadeia produtiva do começo ao fim: 8 meses de desenvolvimento simultâneo, 4 meses de sourcing e 1 mês de distribuição”, explica Donini.

 

Os números da Marisol:



- Está em 12 mil lojas multimarcas no país atendidas por 202 empresas de representação comercial
- A franquia Lilica e Tigor possui 186 lojas
- Iniciando lojas próprias com rede de Outlet Marisol com 3 lojas em operação nas cidades de Jaraguá do Sul/SC, Itupeva/SP e Alexânia/GO.
- E-commerce (www.amazingstore.com.br)
“Precisamos entender o consumidor. Sofremos ainda com tecnologia da informação porquê e preciso identificar onde o consumidor compra, a melhor forma de tratá-lo e provocá-lo. De integrar todos na cadeia de valor”, comenta Donini.

Mais global e menos local. A revolução do fast fashion

O CEO da Riachuelo e presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Flávio Rocha, fez uma apresentação especial sobre a revolução da cadeia têxtil, que segundo ele, depende de outros canais. “O Fast Fashion nem sempre é utilizado da maneira correta, o termo foi criado em 2000 pela Harvard Business School e já foi tese acadêmica com a Teoria das Restrições: um ótimo local é inimigo de um ótimo global”, disse o CEO numa alusão a que as empresas precisam pensar de forma global, comum. “A Inditex/Zara foi pioneira em transformar uma cadeia de conflitos e ‘fatiar’ esses problemas”, complementou.


A Riachuelo tem 60 anos e segundo ele, que assumiu há 8 anos, ela foi transformada de empresa verticalizada para fast fashion, um diferencial que tem mudado o cenário da cadeia têxtil local para global. “A Apple é sem sombra de dúvida protagonista e pioneira da cadeia de gestão de sinergias no sistema colaborativo global, um mundo sem conflitos. Talvez seja a marca mais valorizada do mundo por ter levado o ótimo global para a cadeia de TI”, reflete Flávio.

Para o CEO, tornar a moda acessível para todos é o propósito da Riachuelo com o fast fashion. A marca produz cerca de 35 mil modelos por ano. “Otimizar, transformar uma empresa verticalizada é o que explica o bom momento da nossa empresa. O propósito comum”, define.

Ano passado a empresa inaugurou uma loja na badalada rua Oscar Freire, em São Paulo, que gerou um verdadeiro frisson na mídia e no público classe A, acostumado com grifes internacionais presentes da rua. Flávio Rocha fez uma comparação para mostrar o sucesso da loja no Jardins: “a loja da Oscar Freire ultrapassou as vendas da loja na rua Nova, a rua mais popular de Recife. As maiores vendas foram nos dois extremos da pirâmide social”, comemora o CEO da Riachuelo. 

Sustentabilidade da Cadeia de fornecimento

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) foi criada em 1999 e congrega as principais empresas do varejo de vestuário, calçados, cama, mesa, banho e acessórios. É um canal com o mercado para atingir interesses comuns entre fabricantes, varejo e consumidores e defende a ética nas negociações e o respeito à legislação para o fortalecimento das boas práticas empresariais.
As 21 empresas associadas somam 18% de participação no varejo. Juntas, elas geram mais de 400 mil empregos diretos; são mais de 6.000 lojas em todo o Território Nacional, com 11% de crescimento em número de lojas em 2013. Também em 2013, 19 mil empregos foram criados e mais de 600 novas lojas abertas.



“Para o governo a Abvtex é de extrema relevância pois traz informações do varejo, que é hoje o maior empregador do País, exceto o funcionalismo público”, disse entusiasmado o presidente da entidade, Edmundo lima.
Frentes de atuação da Abvtex
GT (Grupo de Trabalho) Comex
GT Sustentabilidade
GT Prevenção e Perdas
GT Padronização de Tamanhos/ Segurança de Roupa Infantil
Comitê Jurídico / Fiscal
GT Fornecedores

A Abvtex atua em âmbito nacional para estabelecer princípios e critérios para a condução das auditorias em fornecedores e subcontratados da cadeia de fornecimento do varejo têxtil e de calçados. Certificação única que permita aos varejistas signatários controlar fornecedores e subcontratados quanto ao cumprimento de aspectos ligados à formalização, responsabilidade social e às relações de trabalho. E criar um novo ambiente de negócios voltado ao fornecimento responsável e à promoção das melhores práticas na cadeia têxtil.
“De 2010 para cá, a cadeia de fornecimento responsável vem ganhando discurso. Grandes marcas usam trabalho análogo ao escravo, o que abala a estrutura da empresa, ganha as redes sociais. Arranha a imagem da empresa e demora até que provem o contrário”, reflete Edmundo. “Por isso criamos o Programa de Certificação de Fornecedores, para que não comprem de quem não for certificado e assim criar um novo ambiente de negócios”, avisa.
Itens auditados pela Abvtex



Para obter a Certificação, a pontuação total mínima é de 70%. Serão analisados se há trabalho forçado, análogo ao escravo, infantil ou de estrangeiro irregular receberão Reprovação Crítica. Demais aspectos receberão pontuações diferenciadas.
Total de empresas cadastradas com certificação já somam 8.566. As empresas fornecedoras e subcontratadas certificadas somam 6.520 e as empresas fornecedoras e subcontratadas com Plano de Ação somam 1.821.
Os próximos passos da Abtvtex é a certificação de fornecedores de calçados e acessórios até dezembro de 2015 e a estruturação da certificação internacional.
“Temos desafios enormes na cadeia têxtil. É um segmento monitorado pelo governo. A indústria é organizada e ao varejo também é exigido, mas não identificamos ainda grandes entidades que façam corpo frente a isso. Muito do que a gente consegue manter, é feito por estas entidades”, finaliza Edmundo Lima.

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