26 de novembro de 2012

Acordo Mercosul - União Europeia: uma fronteira gigantesca se abre para o Brasil

Em negociação há 20 anos, o pacto engloba países que somam uma população de 750 milhões de pessoas e um PIB de US$ 19 trilhões, sendo aproximadamente 14 trilhões na Europa. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), assim que o acordo entrar em vigor, os produtos brasileiros terão acesso preferencial a 25% do comércio do mundo com isenção ou redução do imposto de importação. Atualmente, eles só entram nessas condições em 8% dos mercados internacionais.

Conforme o que se sabe do acordo, para os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) está previsto um período de mais de uma década de redução de tarifas para produtos mais sensíveis à competitividade da indústria europeia. No caso europeu, a maior parte do imposto de importação será zerada tão logo o tratado entre em vigor. O acordo cobre 90% do comércio entre os blocos.

“Em uma fase de tensões comerciais internacionais, junto de nossos parceiros do Mercosul, mandamos um forte sinal de que defendemos o comércio baseado em regras.Uma referência às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que, no G20 em Osaka, também reafirmou a linha protecionista da Casa Branca. Boas notícias para empresas, trabalhadores e a economia de ambos os blocos”, acrescentao presidenteda Comissão Europeia, Jean-ClaudeJuncker.

O acordo, segundo Bruxelas, vai remover a maior parte dos impostos sobre as exportações da UE para a região e permitirá às empresas economizar mais de 4 bilhões de euros por ano, segundo a Comissão Europeia. Uma vez em vigor, informou a comissária de Comércio Cecilia Malmström, “o acordo estabelece padrões elevados de ambiente e de direitos dos trabalhadores, bem como reafirma os compromissos de desenvolvimento sustentável que já assumimos com o Acordo de Paris”.

Mercosul agora negocia acordo de parceira com o Japão
O Mercosul começou a negociar um acordo de comércio com o Japão, terceira maior economia do mundo, com o objetivo de aumentar o fluxo de produtos entre a região e o país. Segundo fontes diplomáticas envolvidas diretamente na negociação, o Japão manifestou interesse diante do fechamento do acordo de livre-comércio do Mercosul com a União Europeia. “O Japão não quer ficar de fora, por causa das montadoras. Se não houver acordo com o Mercosul, as montadoras japonesas, por exemplo, vão perder muito mercado para as europeias”, explicou um diplomata.

Com uma população de 126 milhões de pessoas, o Japão já tem vários acordos comerciais, entre eles com a União Europeia. É também um dos membros da Parceria Transpacífica, área de livre-comércio que conta com Austrália, México, Canadá, Peru, Chile e outros países.

É por meio da parceria, por exemplo, que o Peru importa carne da Austrália, um grande concorrente brasileiro no comércio mundial de carnes. O Brasil era o principal destino de investimento japonês na América Latina, poucos anos atrás, mas o México assumiu esse lugar.

No Itamaraty, a expectativa é que seja possível fechar o acordo em até dois anos, caso haja foco nas negociações. “O japonês demora muito para decidir, mas, depois que decide, é rápido para fechar toda a burocracia”, explica um diplomata.

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