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13/06/2012

Franquias em expansão


Apesar da instabilidade do cenário mundial, provocada pelas crises europeia e norte-americana – esta última que passa por um momento de gradual recuperação – o mercado de franquias deve registrar crescimento de 15% no faturamento este ano, quando comparado ao resultado de 2011 que totalizou R$ 88,8 bilhões, reforça a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para o diretor executivo da Associação, Ricardo Camargo, mesmo com as adversidades econômicas e políticas a expectativa deve se confirmar. "A crise da Europa e o início da recuperação do mercado norte-americano não alteram as expectativas da Associação. A expansão das franquias brasileiras está baseada no mercado interno e não deve apresentar mudança, mesmo com o crescimento de 0,2% da economia brasileira, no primeiro trimestre de 2012, em relação ao quarto trimestre de 2011, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no início de junho".

Em um futuro próximo o consultor Américo José da Silva Filho, da Atco Treinamento e Consultoria, que também atua na Cherto, consultoria especializada em gestão de marketing e vendas, acredita que as franquias registrarão incremento em determinadas regiões. "A expansão das redes de franquias terá de passar pelo interior do Brasil, que tem apresentado imenso crescimento mesmo quando comparado às capitais. É difícil prever datas, mas com certeza o mercado de franquias continuará crescendo acima do PIB acompanhando o ritmo da economia e aproveitando os novos modelos como, por exemplo, o das microfranquias". Outro fato interessante, desta vez, pontuado pelo diretor Camargo se refere à entrada de um novo segmento neste mercado. "Quanto às tendências, existe o fortalecimento das marcas próprias da indústria que têm nas franquias o canal mais próximo com o consumidor, sem intermediários".


Entre os motivos que contribuem para o cenário positivo das franquias, segundo o consultor Filho, estão desde o aumento do número de consumidores até as características do próprio sistema de franquias. "Crescimento da economia; ascensão das classes D e E; aumento da expectativa de vida – um grande número de pessoas se aposenta, mas ainda em plenas condições físicas e mentais e com capital para investir no tão sonhado negócio próprio; amadurecimento e prestígio do sistema de franquias - as pessoas sabem que através dele as possibilidades de sucesso são maiores; e o próprio crescimento do sistema, que funciona como um círculo vicioso".

Uma dinâmica que Camargo assinala como obstáculo é o aumento acima da inflação do m2 em shoppings centers. "Isso está dificultando o crescimento das franquias dentro dos empreendimentos. Vale lembrar que hoje na região Sudeste, cerca de 60% das lojas em shoppings são franquias e no Nordeste a porcentagem fica entre 40% e 45%".

Principais erros do franqueador
• Não ter processos claros sobre gestão, vendas, atendimento, suprimentos, etc
• Selecionar franqueados que não têm perfil para o negócio. Muitas vezes na ânsia de ter uma rede grande em números, o processo de seleção é negligenciado
• Não dar o suporte necessário
• Não oferecer treinamento adequado
• Ser inflexível e não aceitar sugestões dos franqueados
• Falta de transparência na relação com os franqueados
• Deixar de inovar e não lançar produtos e serviços novos


Principais erros do franqueado
• Não respeitar os padrões da rede
• Achar que sabe tudo e que não precisa mais do franqueador
• Não fazer investimentos para manter o negócio atraente
• Acomodar-se, não fazendo prospecção de clientes na região
• Não implantar as ações de marketing sugeridas pela rede
• Não participar dos treinamentos oferecidos pela rede e nem enviar seus funcionários

Fonte: consultor Américo José da Silva Filho, da Atco Treinamento e Consultoria, que também atua na Cherto, consultoria especializada em gestão de marketing e vendas.

Particularidades dos setores de calçados e confecções

As duas áreas em questão apresentam características que definem as formas como se posicionam. "Calçados e confecções têm duas ou mais coleções por ano, o que exige renovação de estoque; uma grade completa de tamanhos; além da aliança entre ponto de venda, produto e público final. Diante desse panorama são necessários: investimentos permanentes por parte da franqueadora, em pesquisa e inovação nas novas coleções; auxílio ao franqueado na definição de suas compras; treinamento mais agressivo dos funcionários do franqueado em técnicas de vendas, para que determinados itens de uma coleção não fiquem encalhados", esclarece o consultor.

O setor de calçados – que na Associação Brasileira de Franchising reúne também acessórios pessoais – registrou incremento de 13,15%, em 2011. Já o setor de confecções passa por dificuldades e não apresentou crescimento significativo em 2011, ficando nos 7% por não conseguir repassar o preço para o consumidor. "Pelo aumento do consumo das classes A e B no exterior e pela falta de competitividade dos produtos nacionais mediante a entrada dos importados. Isso tem forçado as empresas nacionais a produzirem fora do Brasil, o processo de criação é 100% nacional, mas a produção não, em algumas marcas de roupas representa 50% e na área de acessório é ainda maior chegando a mais de 80%. As medidas anunciadas pelo governo no Plano Brasil Maior para o setor ainda não são capazes de reverter esse cenário, pois é pouco diante da diferença de competitividade".