A
programação do Fórum de Moda da São Paulo Prêt-à-Porter,
em parceria com o IED, contou também com a apresentação sobre
Cool Hunting – Tendências, feita por Janine Santos, doutoranda em
pesquisa de tendências e consumo, pela USP e coordenadora do curso de Design
de Joias e Acessórios, no IED São Paulo. Logo no início,
a palestrante esclareceu que sua explanação não tinha como
proposta apontar as tendências de moda, mas sim os movimentos que dão
origem a elas, assim como os instrumentos capazes de permitir antecipar tais materializações
de comportamento. Dessa forma cada profissional da plateia terá como efetuar
as próprias observações.
O ponto de partida escolhido por Janine Santos foi a sociedade atual. “Vivemos
a época da pós-modernidade, da sociedade do consumo, que tem como
características: efemeridade, não-espaço (hoje é possível
estar em qualquer lugar com o uso da tecnologia), tempo não linear (sensação
de tudo junto no mesmo período), paradoxos (desejar coisas distintas ao
mesmo tempo), excesso de possibilidades (são tantas opções
e não é mais preciso escolher apenas uma, afinal somos plurais).
Com o respectivo cenário, repleto de informações, o marketing
precisou repensar a sociedade. “São múltiplos comportamentos
e interpretá-los é o maior desafio da atualidade. Hoje, fala-se
do fim do target, pois desempenhamos vários papéis ao mesmo tempo
e dependendo da situação adotamos um estilo ou outro. Não
dá para pensar no público de determinada marca como apenas: na faixa
entre 20 e 30 anos com X comportamento. As mulheres, por exemplo, não acordam
todos os dias do mesmo jeito, em alguns estão mais românticas e em
outros se sentem mais poderosas”.
Atualmente, entender melhor quem é esse consumidor se tornou uma necessidade.
“Diante disso, empresas têm investido em pesquisas qualitativas, pois
trata-se de um dado essencial no desenvolvimento de coleção, da
comunicação e indispensável para quem busca inovar. Assim
identificar as tendências de comportamento responsáveis pelos rumos
da moda é ainda mais importante para o profissional do setor do que as
tendências de moda de maneira isolada”, esclarece Santos.
Mas afinal o que é tendência?
Para responder à pergunta, Janine Santos trouxe uma série de definições
encontradas na literatura e destacou como: o direcionamento ou uma sequência
de eventos com certa força e durabilidade previsíveis que revelam
como será o futuro. “Como forma de facilitar a compreensão,
a questão pode ser dividida em três conceitos: onda, moda e tendência.
A primeira se caracteriza como uma febre, não se sabe direito onde começou,
mas tem um curto ciclo de vida. Moda é aquilo com um início mais
definido e que durará determinado tempo. Tendência possui ponto de
partida bem definido e pode durar em média de 10 a 15 anos”, esclareceu
a palestrante.
Metodologia
Para se chegar à identificação dos movimentos como onda,
moda e tendência é essencial analisar o comportamento da sociedade
e isso pode ser feito de inúmeras formas, incluindo por meio de monitoramento
midiático (desk read + análise de conteúdo midiático)
+ pesquisa de campo com olhar etnográfico, as duas principais escolhas
da palestrante. “A análise está vinculada ao exercício
do olhar transversal por diferentes áreas, como publicidade, marketing,
design, moda, comportamento, fotografia, arquitetura e artes. O objetivo de tal
atividade é identificar tanto sinais de novos comportamentos quanto os
valores estéticos, que forneçam direcionamento e conteúdo
para a elaboração de cenários que inspirem as empresas a
inovar. O profissional que atua nessa área deve ser capaz de reconhecer
ainda os tipos e estágios de uma tendência para apontar as oportunidades
novas e reais”, afirmou Janine Santos.
Nesse contexto, vale destacar, segundo a especialista, tanto o que é recorrente
quanto o inusitado – buscando no caso onde existem ganchos. “Os aspectos
reincidentes serão analisados por uma equipe multidisciplinar que cria
pontos de sentido a partir do resultado consensual”, complementou a palestrante.
Tendências
Na sociedade atual, diante de tanta informação, uma das tendências
em alta dialoga com o minimalismo na tentativa de obter uma dose de essencialismo
com o visual mais clean. “O fato traz uma releitura da moda do final dos
anos 1980 e início dos anos 1990. A androginia também aparece em
alta e representa a materialização dos novos papéis de homens
e mulheres. Outra nova tendência é o fora de padrão de moda,
como pessoas acima do peso e o considerado feio, por exemplo, que passam a ilustrar
inclusive os editoriais de moda”, finalizou Santos.

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